quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Reaprendendo


De abril de 2015 à janeiro de 2016 foram 9 meses. Em 9 meses o corpo humano é capaz de contruir um novo corpo, com todos os ossos, órgãos e músculos. Mas 9 meses não foram suficientes para eu evoluir minha performance em uma maratona, pelo menos em relação ao tempo de prova.
Quando citei meu amigo paraquedista em um post anterior, não tinha ideia do quanto ele estava certo. O segundo salto, ou a segunda maratona no meu caso, é a que da mais medo mesmo.

Mas primeiro, o que é evoluir ? 

Desta vez, problemas com a suplementação, os longões, a melhor roupa, o tênis mais adequado, o ritmo que teria que fazer, não existiram esses problemas, essas dúvidas. Então nestes pontos eu evolui sim.
Além do problema que tive com o tráfego lento na minha frente, chego à conclusão de que, mesmo que a minha frente tudo estivesse livre, eu baixaria meu tempo em alguns minutos, não mais que 10 min. Mas o que me diferencia de um corredor da minha faixa etária que consegue índice para Boston ou tempos próximos à isso ? Na minha faixa etária, veja bem, estou comparando com quem tem a minha idade, os índices para Boston são 2/3 do tempo que eu conclui a prova, ou seja, no mínimo 1:30 h mais rápido que eu.
Lendo uma matéria da Runner's World, e conversando com pessoas experientes e que observam minha forma de correr, cheguei a conclusão que eu tenho que me reajustar, mudar a forma como eu corro.
A frase mais estranha que eu ouvi foi: 

"Você corre sentado." 
Que merda é essa de correr sentado ?

Corri para rever dois testes de análise biomecânica que eu tinha feito. Apesar de melhorar, ainda carrego defeitos que podem ser visto como imperfeições ou características da minha forma de correr. 

Análise de 2013
Análise de 2014



Após um treino que fiz em uma academia,  um instrutor e treinador amigo meu me disse a segunda frase estranha, e em minha opinião, a que disparou aquele "click" em minha mente.
"Parece que você tem pressa de colocar o pé na frente." 
"Você precisa segurar a perna mais tempo para trás. "
Meu primeiro pensamento foi, ¨o que esse cara está falando ?" "Demorar para trazer a perna para a frente ?¨ ¨Como vou demorar para trazer a perna para frente ?¨ Estava correndo em uma esteira, fazendo um treino de tiro. Comecei a retardar um pouco o retorno da perna e tentar alongar um pouco mais minha passada, mas não para frente e sim estendendo mais a perna para trás . 
Mudou alguma coisa ? Sim, mudou. Corri em um ritmo que não me lembro de ter corrido em um treino.
O quanto isso vai me influenciar. O quanto conseguirei mudar e quanto tempo isso vai levar, não sei dizer. Mas acho que este vai ser o caminho que tenho que seguir.
Também sei que essa mudança tem que ser cautelosa. Tenho que sentir e seguir o tempo do meu corpo. Se for muito lento, não conseguirei chegar a minha melhor performance, mas pior ainda, uma mudança muito drástica pode me levar pelo caminho das lesões. Ao alterar a forma como você corre, você pode passar a usar musculaturas que você  não tinha o hábito de exigir, não da forma que passará a exigir, e ela pode não estar devidamente fortalecida e daí para uma lesão é um passo.

Setting to work


Bom, é isso aí. De agora em diante eu entro na fase que em minha área, chamamos de "Setting to Work". 
Hora de ajustar a máquina para o trabalho. Quanto melhor for este ajuste, melhor a máquina irá trabalhar e melhor será a sua performance. Vamos acompanhar e ver onde chegarei e como estarei até BERLIN 2016.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

E então ? Como foi ?

Um dia perguntei para um amigo meu, que era paraquedista, se dava medo o primeiro salto. Ele me disse que não, que o que dava medo mesmo era o segundo salto.
Por que ?
Porque no primeiro salto, você não sabe o que vai encontrar, já no segundo você sabe exatamente o que vai encontrar.

Minha segunda maratona foi isso e mais um pouco.



Dizer que cheguei despreparado, seria uma leviandade. Preparado eu estava, mas sempre tem o "mas...".

Dizer que amei esta prova, não seria justo comigo, mas para quem ama e adora a Disney, essa prova deve mesmo ser uma realização. Minha esposa ama de paixão está prova, já para mim, a impressão que ficou foi outra. Mas ainda assim eu aconselho a todos fazer esta prova, desde que não cometam os "enganos" que eu cometi.

O que mais importa nesta prova, por incrível que pareça, é o ambiente de curtição aos personagens e cenários da Disney. A prova engana um pouco, por ser em Orlando e muitos acharem que é tudo plano. Meu treinador Adriano Bastos alertou muito bem quanto a isso. Não é uma prova tão plana assim, existem subidas de viadutos e alguma subidas dentro dos parques temáticos. Algumas em curva que tornam ainda maior. Além de as avenidas serem muito largas e podem custar alguns km a mais no final da prova.

Mas o pior problema que encontrei foi uma situação que sequer passou pela minha cabeça. Fui alertado para tomar cuidado para não largar muito atrás pois pegaria muito tráfego, muita gente mais lenta para eu passar. Devo confessar que não dei muita bola porque eu mesmo me considero um corredor lento ainda. Não tenho uma performance que possa me classificar como rápido. Por isso, não segui um conselho que recebi para me inscrever como se fosse correr em um ritmo muito mais rápido do que conseguiria fazer. Com isso, cai no penúltimo pelotão de largada. Depois da prova, apelidei este pelotão de os "walking-deads", desculpe se algum leitor largou de lá também, é só uma brincadeirinha :) 

Só me dei conta da besteira que tinha feito, quando vi muita gente na minha frente largando para uma maratona, simplesmente caminhando. Pensei, esses caras não vão sair como se estivessem correndo nem na foto de largada ? Pois é, dai foi só piorando. Uma infinidade de pessoas correndo alguns minutos e caminhando outros tantos, gente só caminhando. O ápice desta situação foi quando passei um senhor participando da prova com joelheiras, um imobilizador ortopédico em uma das pernas e muletas, isso mesmo, muletas. Tudo bem, este espírito de lutador que eles têm é invejável, mas me atrapalhou muito.

Foram uns 10 km simplesmente ziguezagueando o tempo todo e correndo boa parte na grama fora do asfalto, que tinha muito desnível, isso para conseguir ficar perto do ritmo mais lento que tinha nos meus planos. Mesmo assim, era frequente as paradinhas e caminhadas devido ao congestionamento de corredores que tinha na minha frente. 

Isso foi minando minha energia e forçando minha musculatura. Quando começou melhorar, já estava bem cansado e lá pelo km 30 comecei a sentir um pouco de dor na musculatura do joelho esquerdo. Para não piorar, tive que intercalar com paradas para hidratação e diminui um pouco o ritmo, o que eliminou totalmente meus planos de fazer uma maratona melhor que a primeira. Fui 10 min mais lento que em Paris.

No demais, é uma prova excelente. Organização de primeira, mas também pelo preço não poderia ser diferente. A suplementação que eles oferecem durante a prova é excelente, dependendo do seu ritmo e planejamento, não estudei isso, mas eu acho que daria para fazer esta prova sem levar nada. Água e isotônicos tem a vontade, bananas e gel de carbo em alguns pontos. Olha, não me admiraria se alguém me disser que fez a prova somente com a suplementação oferecida. 

Agora, se você é fã da Disney, a prova é fantástica. Muito bonita e com personagens para todos os gostos. Acho que se você parar para tirar foto só com os personagens que não tem fila, você vai aumentar seu tempo de prova em uma hora e olhe lá ;)  . 

A última ressalva que faço é quanto a chegada. Largar as 5:30 da manhã, no meio do nada, e no meu caso uma hora depois, já é um saco. Agora terminar a prova no meio do nada, ou como eu comentei no final, pela porta dos fundo, sobrando apenas um estacionamento feio com um monte de gente e uma meia dúzia de totens para tirarmos fotos. Não achei legal. Claro que se você pagar uma fortuna por um atendimento VIP,  eles te oferecem um lugar super especial, mas ainda assim a chegada é ali mesmo, na saída de serviço, tipo "não fica muito tempo que está atrapalhando". Poderia ser pelo menos embaixo da famosa bola do EPCOT, mas não, nem passamos por baixo dela.
Diferente de Paris, que você termina praticamente de frente ao "Arco do Triunfo". 
Quase todos tem uma foto com a medalha e o arco ao fundo.